terça-feira, 24 de agosto de 2010

RESUMO DA ATIVIDADE FINAL

A atividade final consistiu numa explanação acerca dos quatro modelos de ensino e aprendizagem e suas correlações com a proposta da EAD, apresentada na disciplina Metodologia EAD.

Nos quatro modelos apresentados, é feita uma explanação acerca do método, características e críticas.

O conteúdo completo está disponível em:
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http://filosofandopsi.blogspot.com/2010/08/lacan-e-o-cartel.html
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JACOTOT E O MÉTODO EMANCIPADOR

JOSEPH Jacotot, foi um pedagogo francês do séc. XIX, cuja prática estava sustentada em metodologias tradicionalistas e tecnicistas e que acreditava ser papel do mestre apenas transmitir seus conhecimentos aos alunos a fim de educá-los e ao se deparar com uma situação inusitada modifica totalmente sua maneira de pensar.
“Contudo, atribuía ao ensino a função de reduzir a desigualdade social, aproximando o ignorante e o saber. Ele afirmava que a igualdade devia ser o ponto de partida e não o objetivo a ser atingido. Para ele, já naquela época, qualquer indivíduo, por menos que conhecesse do saber formal, trazia como bagagem uma infinidade de sabedoria adquirida em sua vivência e o mestre devia aproveitar esses saberes. “
Apesar da distância entre os tempos de Jacotot e os dias de hoje, há lições que ele apresenta que são bastante atuais. Jacotot teorizou e desenvolveu métodos de ensino, após sua experiência na Holanda, que colocava o mestre como facilitador da aprendizagem e não como mestre explicador ou instrutor. Sua experiência pedagógica rompe com a lógica das outras pedagogias. O autor contrapõe-se a ideia do mestre todo poderoso, detentor de todos os saberes, e do aluno como um caderno a ser preenchido.
Os seres humanos não são como as formigas que repetem seus atos de forma autômata, eles constroem saberes, habilidades e competências. A emancipação da humanidade pressupõe um funcionamento igual, universal das inteligências, coletivamente falando. A autonomia se dá sempre através do saber é ela que propicia um instrumento onde a igualdade torna-se-á uma possibilidade.
Por isso, Jacotot dizia que “a explicação do mestre emudece a palavra ensinada.”
Assim também o diz Paulo Freire: “que as pessoas se educam entre si mediatizadas pelo mundo, ou seja, ninguém educa ninguém ou que ninguém educa a si mesmo”
Onde conclui-se que o processo de aprendizagem por meio da EAD é uma possibilidade de educação emancipadora, já que a mediação é realizada no grupo e a aprendizagem se dá na medida do potencial do desejo existente no aprendiz.

LACAN E O CARTEL

Na filosofia socrática o mestre é aquele que estimula o aluno na busca do conhecimento, bem como o direciona, através de perguntas e ironias. O saber é algo racional, que pode ser exemplificado por meio de fórmulas e desenhos, além das palavras.
Para Lacan o conhecimento reside no inconsciente, é ele o grande mestre. É o próprio indivíduo o detentor do saber que jaz no seu inconsciente. Assim sendo o mesmo entende que o cartel implica transmissão do saber em psicanálise, porque as idéias vão surgindo do grupo, sem que o indivíduo perca a sua identidade. Cada um efetua a pesquisa, a seu modo, sendo que, num dado momento as ideias são apresentadas ao grupo para discussão.
Nesse contexto, o mais um é o elemento organizador, coordenador, mediatizador, assemelha-se ao tutor à distância ou presencial na modalidade EAD. Ele desempenha um papel de facilitador para os pesquisadores. O mais um tem como função possibilitar que seu grupo chegue a produção com uma estrutura borromeana de cartéis (fórmula tomada da matemática, que diz respeito ao entrelaçamento de anéis, compondo um nó onde basta que um dos anéis se solte para que o nó se desfaça). “A palavra CARTEL ou CARTUCHO, vem do latim cardo e significa gonzo, dobradiça, provém do número quatro, que faz referência ao nó borromeano. Aparece na escrita egípcia como diferenciando os nomes próprios aos comuns.”
Esse mais um deve despertar desejo pelo conhecimento proposto propiciando elementos que sejam provocadores da elaboração.
O produto desejado, não é o mais importante sempre cairá como resto, com a marca da insatisfação, diferente da impotência, tendo sua tentativa de retomada sempre, num trabalho seguinte, num cartel seguinte que funcionou.
Portanto, o processo de aprendizagem por meio da EAD pode nos ensinar que a transmissão de saber via cartel tem como ponto central o de que um grupo pode se desenvolver e se autoajudar de forma que cada indivíduo haja de maneira autônoma e independente, sendo que ao final, os resultados encontrados podem ser expostos ao grupo para discussão. A EAD segue essa mesma sistemática, pois cada indivíduo em seu lugar efetua a pesquisa e, ao final, a expõe ao grupo.

A POSTURA DO MESTRE NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA - O Método Socrático

Sócrates foi um inovador, por meio da humildade e da ironia, ele convidava o seu interlocutor a pensar. A forma de abordagem era dialógica. Ao contrário dos sofistas, Sócrates não gostava das multidões ou de grupos, a conversa era restrita entre ele e o ouvinte ou, entre ele e poucas pessoas.
O seu cartão de visitas era a negativa do seu próprio saber: “só sei que nada sei”. Com essa postura ele igualava-se ao interlocutor, adotando uma postura horizontal e coordenativa. A partir disso, eram suscitadas dúvidas, as quais eram respondidas pelo participante, sendo que das respostas, novas dúvidas, novas perguntas eram brotadas.
Com esse método questionador, o saber “novo”, foi sendo criado. Respostas novas foram sendo encontradas e delas novas perguntas foram sendo geradas, criando-se um novelo inesgotável de perguntas, idéias e respostas.
O método Socrático era mais aberto, democrático e conduzia o participante à sua maioridade intelectual e mental – pois ele próprio poderia conduzir a sua caminhada, em vez de seguir por um caminho previamente determinado.
Sócrates se servia do diálogo para que seu interlocutor elaborasse seu próprio conhecimento. Ele não trabalhava com assembléias, mas com pequenos grupos, em geral um de cada vez. No momento em que o interlocutor assimilava o conhecimento o diálogo terminava. Esse método era a maiêutica que acontecia em três momentos distintos – partia de uma negativa, Sócrates dizendo nada saber, num segundo momento, utiliza-se da ironia, questiona o conhecimento do interlocutor para que esse pudesse produzir um novo saber.
O mestre acompanha o aprendiz em suas descobertas. Sendo o saber algo que vai se construindo no dia-a-dia, há saberes inatos, há saberes conscientes e inconscientes. Uns podem ser conhecidos e buscados, outros jazem numa área de difícil prospecção. Entretanto, nas experiências cotidianas, aliadas aos saberes que se possui de maneira consciente e inconsciente, vai-se construindo novos saberes.
Tanto a metodologia socrática, quanto a sofista, tem o seu valor e o seu vício. Ambas, podem nos ensinar que, cair na tentação dos sofistas e assumir uma posição persuasiva, vaidosa e emotiva, no sentido de tentar influenciar o aluno a repetir o seu conhecimento é um grave erro; ou então, acreditar que possui o conhecimento e adotar uma postura centralizadora e ditatorial não ajudará na evolução daquele que busca o saber, ao contrário, o mitigará.
Assim, o professor na EAD não poderá repetir os vícios supracitados, sob pena de comprometer o desenvolvimento do estudante.

A POSTURA DO MESTRE NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA - Os Sofistas

Os sofistas eram os intelectuais, os sábios da antiguidade clássica. Eles detinham o saber, dominavam a retórica e a oratória. Por meio da persuasão, do jogo de palavras, da eloqüência, eles impunham aos seus asseclas e ao público em geral o seu ponto de vista.
Não havia espaço para discussões, diálogos – o monólogo era o meio de disseminação do conhecimento, que se dava através dos grupos de expectadores.
O saber era concentrado, eles não tinham concorrentes, era um tipo de monopólio exercido pelos sofistas. Desta forma, era reproduzido, imitado, mas, o nascimento de algo novo, devido a essa metodologia, era algo raro. Apenas, o próprio sábio poderia inovar e propalar a novidade.
Outra característica importante diz respeito à vaidade dos sofistas que sentiam verdadeiro fascínio pelo reconhecimento dos seus atributos intelectuais, oratórios, retóricos e teatrais. Dessa forma, o saber era um meio para se atingir o sucesso pessoal.